Segredos revelados

A ciência ao serviço da arte

altRaios X, espectrometría de fluorescência e outras técnicas de diagnóstico médico estão a ajudar os especialistas a trazer à luz do dia enigmas que os artistas levaram para o túmulo.

Leonardo da Vinci (1452-1519) pintou apenas (que se saiba) quatro retratos femininos, incluindo a Mona Lisa e A Dama Com Arminho. Sabemos agora que este último, realizado entre 1488 e 1490, sofreu várias alterações antes de alcançar a forma final. O engenheiro francês Pascal Cotte descobriu que o grande mestre renascentista modificou substancialmente o desenho que tinha idealizado de início. A descoberta mais surpreendente é que o animal que dá título à obra, um arminho segurado nas mãos pela dama Cecilia Gallerani, amante do duque de Milão, Ludovico Sforza, não figurava na primeira versão do quadro. Nessa fase inicial, Da Vinci pintou um retrato de recorte mais clássico, em que apenas se vê a dama, com as mãos postas uma sobre a outra. A investigação de Cotte revelou também que, numa fase intermédia, o arminho era menor do que o que figura na tela final.

O engenheiro francês reconstruiu a história do quadro utilizando uma tecnologia que ele próprio inventou, e a que chamou "método de amplificação de camadas". Consiste em projetar uma luz que é absorvida pelos estratos da pintura em função dos pigmentos e dos materiais aglutinantes presentes. "Analisando o sinal refletido, podemos reconstituir os sucessivos traços do pincel. Leonardo era um indeciso, um verdadeiro maníaco da perfeição e da realização perfeita, que melhorava sem cessar a pintura, recomeçando uma e outra vez", explica Cotte. Por outro lado, segundo alguns especialistas, o animal do quadro não seria um arminho, mas um furão, que é mais facilmente domesticável.

Rosto na relva

altCalcula-se que um terço das pinturas de Vincent van Gogh (1853–1890) escondem composições anteriores, pois o génio holandês tinha o hábito de reaproveitar telas. Um dos casos mais espetaculares conhecidos é o da paisagem primaveril pintada em 1887, que oculta o desenho, mais sombrio, de uma cabeça de mulher, provavelmente realizado dois ou três anos antes. As primeiras análises pormenorizadas da obra já indicavam a forma de um rosto, mas este só foi completamente revelado em 2008, quando a obra foi sujeita à técnica da espectrometria de fluorescência. Cientistas holandeses e belgas trouxeram então à luz do dia, por assim dizer, a pintura oculta, com um sincrotrão que lança finíssimos feixes de raios X para analisar cada milímetro da tela.

Os átomos dos diferentes estratos, ao serem submetidos ao bombardeio, lançam uma fluorescência diferenciada em função do material a que pertencem. Cada pigmento de cor diferente pode ser identificado graças à sua composição química particular. Foi assim que se conseguiu reconstituir a obra "reciclada" por Van Gogh.

A cabeça feminina terá sido pintada em Nuenen, uma localidade holandesa onde o artista residiu entre 1883 e 1885, e pertence a uma série em que o pintor representou diversos camponeses através de um uso muito sombrio da cor. Pelo contrário, a tela final é vibrantemente colorida, influenciada pelo impressionismo que descobrira em Paris, com tons muito mais luminosos. Assim, o quadro, tanto pelo que mostra como pelo que oculta, é um retrato da evolução artística de Van Gogh naqueles anos.

 

SUPER 222 - Outubro 2016

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