Como prever o tempo

Vento, chuva vagas de frio...

altEmbora não os compreendamos, todos damos atenção aos mapas cheios de linhas com que nos anunciam os temporais que aí vêm. Descubra como poderá antecipar-se e fazer a sua própria previsão.

Os mapas sobre o estado do tempo gozam de muita popularidade graças aos meios de comunicação social. Neste texto, explicamos-lhe algumas regras práticas que lhe permitirão dar os primeiros passos como meteorologista. Para isso, utilizaremos alguns mapas sinóticos (de isóbaras, as linhas que ligam lugares com igual pressão atmosférica, e frentes, as zonas de contacto de duas massas de ar de temperatura e humidade diferentes que, ao deslocar-se, provocam alterações meteorológicas), por serem os mais conhecidos e estarem disponíveis na internet; por exemplo, na pagina do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (http://www.ipma.pt). Atualmente, há muitos outros produtos gráficos de análise e previsão meteorológica, mas estes mapas de isóbaras são os mais pedagógicos.

A distribuição da pressão atmosférica ao nível da superfície terrestre não é uniforme, pois existem grandes diferenças entre as diversas zonas. Tomando como referência o valor de 1013 hectopascais atribuído à pressão normal que se verifica ao nível do mar, temos zonas de baixa pressão (ciclones, isto é, tempestades) e de alta pressão (anticiclones), consoante a pressão atmosférica nessas áreas tiver valores inferiores ou superiores ao de referência.

Nos mapas meteorológicos, as letras A e B indicam os centros de altas e baixas pressões, respetivamente, ambos rodeados de isóbaras fechadas, com uma maior concentração destas em redor dos temporais. O ar da atmosfera tende a convergir, de forma natural, nas zonas de baixa pressão, escapando dos anticiclones, ou seja: o ar move-se (como é natural) das zonas de alta para as zonas de baixa pressão. O vento (o movimento do ar no plano horizontal) que altobservamos é uma consequência do conjunto de forças que agem simultaneamente na atmosfera; uma dessas forças deve-se à diferença de pressão.

O anticiclone dos Açores

No mapa 1 da página seguinte, observamos o famoso anticiclone dos Açores, que domina o Atlântico Norte e se centra sobre aquele arquipélago, e uma grande tormenta com as frentes associadas, situada sobre as ilhas britânicas, claramente responsável pelo acentuado fluxo de noroeste sobre a península Ibérica.

Podemos imaginar as tempestades como gigantescos sumidouros de lavatório em torno dos quais o ar forma remoinhos, de modo semelhante à água quando esvaziamos a bacia. A analogia permite compreender como se produz a circulação atmosférica nas zonas de baixa pressão. O sentido de rotação do ar em torno das tormentas é diferente consoante o hemisfério terrestre, pois a consequência da rotação da Terra, o efeito Coriolis, manifesta-se de forma oposta em cada um deles. Surge como uma força em que o vento vira para a direita no Hemisfério Norte e para a esquerda no Hemisfério Sul. Esta circunstância é absolutamente determinante para o sentido final de rotação do vento que acompanha a tempestade.

Em qualquer das tormentas que surgem nos mapas que ilustram este artigo, o vento, ou ar em movimento, gira à sua volta no sentido anti-horário, por se tratar do Hemisfério Norte. No caso do Hemisfério Sul, o sentido inverte-se e passa a ser o dos ponteiros do relógio. Por outro lado, nos anticiclones (tal como indica a própria palavra), a circulação do ar é, precisamente, o oposto do que se produz nas tempestades (ciclones).

A intensidade do vento

Os mapas de isóbaras permitem calcular a intensidade dos ventos: é apenas preciso observar se as linhas se encontram mais juntas ou mais separadas. As diferenças na pressão atmosférica das diversas zonas criam uma força (o gradiente horizontal de pressão) que dá origem ao movimento do ar entre as altas e baixas pressões, o que se traduz na presença de vento. Quando mais unidas estiverem as isóbaras, maior será esse gradiente horizontal de pressão e mais forte a intensidade do vento.

Assim, no mapa 1, os ventos mais fortes irão soprar nas imediações da tempestade, centrada nas ilhas britânicas, e serão especialmente intensos no flanco esquerdo. Trata-se de ventos de noroeste que incidem na Irlanda e em zonas marítimas próximas. O contraste verifica-se no meio do Atlântico, na zona dominada pelo anticiclone, onde as isóbaras estão muito mais separadas e, portanto, quase não há vento.

No mapa 2, os ventos mais intensos são os de nordeste, que sopram na passagem que se formou entre o anticiclone, situado sobre as ilhas britânicas, e uma tempestade em Itália. Trata-se de uma situação clássica: a de uma onda de frio siberiano a abater-se sobre a península Ibérica.

 

SUPER 223 - Novembro 2016

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