Os últimos mistérios do Sistema Solar

Planetas ocultos, jatos de água, manchas

altApesar de já termos enviado dezenas de sondas aos planetas mais próximos e a muitas das respetivas luas, e de o conhecimento sobre a nossa vizinhança galáctica ter crescido nos últimos anos, esta ainda detém múltiplos segredos.

Há uma década, a comunidade astronómica internacional retirou Plutão do exclusivo grupo de planetas do Sistema Solar, pelo que este ficou reduzido a oito membros. Agora, Konstantin Batygin e Michael Brown, investigadores do Instituto Tecnológico da Califórnia, anunciaram na revista Astronomical Journal que dispõem de indícios que lhes permitem pensar na existência de um nono mundo. Encontrar-se-ia para além da Cintura de Kuiper, região povoada por asteroides, planetas-anões (Plutão é um dos seus membros destacados) e outros corpos rochosos, situado para lá de Neptuno.

Tudo começou em 2014, quando os astrónomos Chadwick Trujillo, do Observatório Gemini, e Scott Sheppard, do Instituto Carnegie, de Washington, publicaram um artigo no qual chamavam a atenção para o modo peculiar como se moviam treze dos objetos mais distantes da Cintura de Kuiper. Como explicação, sugeriam que talvez existisse, nos arredores, um grande planeta ainda não detetado.

Nove planetas, outra vez?

A sugestão chamou a atenção de Brown, que, no intuito de aprofundar a questão, pediu ajuda a Batygin, especialista em dinâmica do Sistema Solar. Após ano e meio de cálculos, descobriram que seis dos corpos referidos por Trujillo e Sheppard seguiam órbitas elípticas muito parecidas. Além disso, apontavam na mesma direção no espaço. A probabilidade de tal se verificar por acaso era de 0,007 por cento.

"É como se tivéssemos um relógio com seis ponteiros, cada um a deslocar-se a um ritmo diferente, e, quando nos ocorresse olhá-lo, estivessem todos no mesmo lugar", explica Brown. Recuperou a ideia do planeta perdido e, com Batygin, defendeu que devia existir, para além de Neptuno, um objeto maciço que seguia uma órbita excêntrica: o Planeta Nove.

altEste nunca se aproximaria menos de 300 unidades astronómicas (UA) do Sol (uma UA equivale à distância média da Terra ao astro-rei, cerca de 150 milhões de quilómetros), nem se afastaria mais de 700, o que significa que levaria entre dez e vinte mil anos a dar uma volta completa à nossa estrela. Deduziram também que seria dez vezes mais maciço do que Neptuno e, no mínimo, duas vezes maior.

Apesar disso, encontrá-lo vai ser difícil: primeiro, porque o seu brilho não pode ser detetado pelos nossos telescópios na zona mais afastada da sua órbita; segundo, porque a região em que supostamente se encontra coincide com o plano da Via Láctea. Isso, a par da quantidade de estrelas de fundo, torna a sua procura ainda mais complicada.

Os confins do Sistema Solar guardam muitas incógnitas. Por exemplo, antes da passagem da sonda New Horizons por Plutão, não conhecíamos com precisão o seu tamanho. Efetivamente, pensava-se que era mais pequeno do que outro dos objetos da zona, Éris, mas os últimos dados obtidos descartam essa hipótese. Além disso, descobriram-se nele colinas do que parece ser gelo, montanhas com mais de 3 km de altura, glaciares de azoto congelado e campos de dunas cuja existência desafia qualquer explicação, pois a atmosfera de Plutão não é suficientemente densa para haver vento.

Urano, um dos quatro gigantes gasosos da nossa vizinhança galáctica, também alberga segredos. É o caso da enigmática mancha negra descoberta em 2006 graças aos dados obtidos pelo telescópio espacial Hubble e pelo Observatório Keck, no Hawai. Embora já tivessem sido anteriormente vislumbradas outras estruturas semelhantes (crê-se que são causadas por remoinhos na atmosfera), desconhece-se por que razão são negras. Acontece que foi detetado, em 2011, precisamente o contrário: alguns pontos brancos e brilhantes. Uma das hipóteses adiantadas sugere que se trata de nuvens de metano (parecem estar associadas às manchas negras), mas, por enquanto, ninguém forneceu uma explicação convincente.

Não se sabe também ao certo o que aconteceu em Miranda, uma das luas de Urano, que alguns astrónomos consideram uma espécie de monstruoso Frankenstein cósmico: parece ter sido formada com pedaços que não se ajustam entre si. Talvez tenha sofrido no passado o impacto de um grande objeto, que quase a teria partido ao meio, mas a ação da gravidade tê-la-ia recomposto, por assim dizer.

 

SUPER 223 - Novembro 2016

Leia a SUPER numa das nossas versões digitais:

http://www.superinteressante.pt/digital

 


( 0 Votos )
 

Últimas publicações

GuiaTV

Escolha abaixo o canal.

Canal:

Data:

You need Flash player 6+ and JavaScript enabled to view this video.

Playlist: 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11

Your are currently browsing this site with Internet Explorer 6 (IE6).

Your current web browser must be updated to version 7 of Internet Explorer (IE7) to take advantage of all of template's capabilities.

Why should I upgrade to Internet Explorer 7? Microsoft has redesigned Internet Explorer from the ground up, with better security, new capabilities, and a whole new interface. Many changes resulted from the feedback of millions of users who tested prerelease versions of the new browser. The most compelling reason to upgrade is the improved security. The Internet of today is not the Internet of five years ago. There are dangers that simply didn't exist back in 2001, when Internet Explorer 6 was released to the world. Internet Explorer 7 makes surfing the web fundamentally safer by offering greater protection against viruses, spyware, and other online risks.

Get free downloads for Internet Explorer 7, including recommended updates as they become available. To download Internet Explorer 7 in the language of your choice, please visit the Internet Explorer 7 worldwide page.