Na mente do fanático

Neurociência da paixão extrema

altSentir paixão pelas coisas é positivo e mesmo saudável... até as ideias se transformarem numa obsessão incontrolável que nos pode levar ao extremo de matar ou morrer por elas.

O que têm em comum um fanático por futebol capaz de andar à pancada com os adeptos do clube rival, um cruzado medieval que atravessou a Europa e o Mediterrâneo para ir combater na Terra Santa, de espada na mão, e, por último, uma mulher muçulmana que aceita transformar-se em bomba humana para fazer explodir uma escola cheia de crianças? Por muito diferentes que as três personalidades e as suas motivações pareçam, todas têm um aspeto em comum: o fanatismo, isto é, a adesão incondicional a uma causa, sem limites nem matizes, ao ponto de estar disposto a executar qualquer tipo de ação a seu favor, incluindo matar ou morrer por ela.

Trata-se de um fenómeno tão velho como a humanidade, mas foi só recentemente que os cientistas de diversas disciplinas se aperceberam de que existem mecanismos idênticos de assimilação individual do fanatismo, para além do contexto social, político ou religioso que impele cada um a agir. Por isso, existem várias especialidades a procurar saber mais sobre um aspeto fundamental: como funciona o cérebro de um fanático.

Algumas das primeiras hipóteses e conclusões são surpreendentes. Um neurotransmissor químico, a dopamina, poderia desempenhar um importante papel nos processos cerebrais que conduzem aos comportamentos fanáticos, independentemente da forma como se exprimem. Os neurónios que lidam com a dopamina estão intimamente associados às emoções que sentimos e que se ativam quando o organismo retira prazer de alguma ação. Contudo (e isto é uma descoberta essencial), fazem-no em tanto maior medida quanto mais inesperada for a dita recompensa, como lhe chama a neurociência. Pensamos habitualmente no prazer como algo muito associado a contextos como as relações sexuais ou a boa mesa, mas há muito mais motivações, e algumas delas são as que tocam as raias do fanatismo.

O cérebro habitua-se à droga

altOs adeptos de um clube de futebol, por exemplo, sentem grande prazer quando a sua equipa ganha, mas a sensação é ainda mais intensa se a vitória for inesperada, seja porque o contexto racional convidava a descartar a possibilidade (o clube do fim da tabela que vence inopinadamente o líder) ou porque o desenrolar do acontecimento desportivo também os fizera descrer da possibilidade de vitória (a reviravolta final após ter o jogo quase perdido). Nesses momentos excecionais, produz-se muito mais dopamina e sente-se uma felicidade muito mais intensa.

No entanto, talvez o mais importante de tudo seja que o cérebro se habitua rapidamente a esperar tais recompensas neurológicas. Uma das zonas do sistema nervoso em que se produz mais dopamina é a substância negra, situada no mesencéfalo, que tem a aprendizagem como uma das suas principais funções.

A repetição das recompensas acaba por criar uma marca permanente nos circuitos cerebrais que convida os indivíduos que vivem tais momentos de satisfação a procurá-los novamente. Seria, por conseguinte, o cérebro que lhes dita, das profundezas dos neurónios, a necessidade de voltar a atingir esses instantes imprevisíveis de êxtase para os quais o desporto, pelo acaso que lhe é inerente, se revela mais propenso do que outras atividades.

 

SUPER 222 - Outubro 2016

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