Isto está tudo ligado!

Na mente do conspiranoico

altAs recentes eleições presidenciais norte-americanas tornaram a colocar o assunto no mapa. Para muitas pessoas, há uma série de misteriosos poderes ocultos que dominam o mundo, e nada acontece por acaso. Que fatores psicológicos explicam tamanha fé nas teorias da conspiração?

O avião da Germanwings despenhado nos Alpes por Andreas Lubitz, no dia 24 de março de 2015, foi, na realidade, abatido por um laser do governo norte-americano. Um ensaio do programa ultrassecreto Sistema de Defesa Aérea de Laser Líquido de Alta Energia (HELLADS) pretendia destruir um míssil intercontinental lançado como alvo, mas falhou e atingiu o voo comercial

Não há também qualquer dúvida de que o MI6 (os serviços secretos ingleses) orquestrou um complô para assassinar a princesa Diana, que representava uma ameaça para o futuro da Casa Real britânica. Em Espanha, há pessoas que continuam a acreditar que os atentados de 11 de março de 2004 resultaram de um conluio entre os serviços secretos espanhóis e marroquinos, grupos de esquerda, a ETA e jihadistas, tudo para tirar o PP do poder, uma extraordinária manifestação de diplomacia e presciência por parte dos conspiradores para conseguir pôr de acordo organizações diametralmente opostas e prever com exatidão como reagiria o governo e como a tragédia influenciaria as eleições marcadas para três dias depois.

O que transforma alguém em conspiranoico e o leva admitir a veracidade das teorias mais abstrusas sem quaisquer provas? Esse preconceito cognitivo adquire-se com o passar dos anos e leva quem o possui a ver a vida de forma distorcida, sempre convencido de que existe uma mão obscura por detrás de tudo o que acontece. Começa geralmente por acreditar numa teoria da conspiração qualquer, como a de que os Illuminati, uma sociedade secreta do século XVIII, foram o cérebro por detrás da Revolução Francesa, para acabar numa visão da história que a faz depender de sinistras confabulações.

altO conspiranoico é compulsivo e autodidata, e memoriza os mais ínfimos pormenores da teoria em que crê. Não muda de opinião relativamente às suas crenças mais firmes e encontra sempre provas de que a sua tese se apoia na realidade. Em casos extremos, a obsessão fá-lo pôr de lado família e trabalho, e pode transformar-se num paranoico convencido de que está a ser perseguido, como aconteceu com Nesta Webster (1876–1960), historiadora britânica responsável, em grande parte, pela divulgação dos supostos complôs entre judeus maçónicos e os Illuminati. Estava tão obcecada que, quando tocavam à porta da sua casa, não a abria sem empunhar um revólver carregado.

Por vezes, esses teóricos da conspiração sobem ao poder, o que desencadeia processos destrutivos. O historiador norte-americano Daniel Pipes refere Estaline e Hitler como exemplos evidentes. Estaline, grande assassino de massas, tinha pânico dos médicos, pois achava que queriam matá-lo. O mesmo acontecia com Mao Zedong, o sanguinário líder chinês que se negava a receber tratamento na velhice, por suspeitar de que os seus inimigos utilizariam esse método para assassiná-lo.

Não distinguem o absurdo

Este fenómeno psicológico e social não foi objeto de muitos estudos. Destaca-se um realizado, há dois anos, por investigadores italianos: escolheram páginas do Facebook consagradas a este tipo de hipóteses e introduziram nelas mais de 4700 falsas notícias, umas com contornos científicos e outras nitidamente conspiranoicas (algumas incluíam as teorias mais disparatadas). A intenção era ver como reagiam os adeptos aos rumores sem fundamento.

Conclusão: 91 por cento dos defensores das maquinações ocultas não distinguiam uma paródia absurda de uma tese excêntrica mas sustentada em argumentos. O trabalho confirma o resultado de outras investigações, as quais demonstram que os conspiranoicos mostram pouca aptidão para o pensamento crítico, procuram evitar qualquer contacto fora do seu círculo de interesses e não percebem quando estão a ser gozados.

A complexidade do mundo atual, o seu ritmo acelerado e o excesso de informação que torna mais difícil interpretá-lo constituem o alimento dos que creem nas conspirações em grande escala. Acreditam que a política global é manipulada por misteriosas organizações que, paradoxalmente, são muito conhecidas. Por exemplo, a Skull & Bones, uma sociedade secreta fundada, em 1832, na Universidade de Yale (Estados Unidos), ou o grupo Bilderberg, que reúne anualmente desde 1954 cem a duzentas das pessoas mais poderosas e influentes (multimilionários, políticos, grandes empresários...), as quais formariam um governo-sombra para manipular o mundo em benefício próprio.

 

SUPER 224 - Dezembro 2016

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