A bússola da monarca

Lorenzo Rosenzweig, engenheiro ambiental

altDiretor-geral do Fundo Mexicano para a Conservação da Biodiversidade, o engenheiro Lorenzo Rosenzweig fala das migrações da borboleta-monarca no continente americano e dos perigos que a espreitam.

A borboleta-monarca (Danaus plexippus) é uma rara exceção no mundo dos insetos, habitualmente menosprezado pelo homem. Este lepidóptero, cujos belos desenhos de listas negras e manchas laranja evocam uma delicada obra de arte, conquistou um lugar de destaque entre os animais cuja imagem possui um valor simbólico para a psique humana.

Com efeito, a borboleta-monarca ocupa um posto de honra na lista em que figuram a baleia-azul, o elefante, o leão, o tigre e outros grandes felinos, os golfinhos e mesmo o tubarão-branco. Porque terá atraído o fascínio do público? "O que a torna espetacular é o colorido das suas asas e a congregação de centenas de milhares destes insetos", responde o engenheiro ambiental mexicano Lorenzo Rosenzweig. A verdade é que, apesar do seu número, cada borboleta parece uma autêntica obra de arte. "Quando as vemos de perto, são belíssimas", assegura o engenheiro, que é o diretor-geral do Fundo Mexicano para a Conservação da Biodiversidade.

O mistério da precisão

Estas borboletas são conhecidas pelas suas migrações anuais. Como são?

altHá quatro gerações que rumam a norte, e apenas uma que viaja até ao sul. A precisão com que navegam ao longo dessas rotas ainda é um mistério, embora talvez tenha a ver com a posição do Sol e a intensidade da luz.

Como seria a narrativa da viagem?

O fenómeno mais espetacular ocorre na costa leste dos Estados Unidos e do Canadá e na viagem até ao planalto do México, onde passam o inverno nos seus santuários. Estamos, pois, no mês de fevereiro. Temos entre 20 e 200 milhões de borboletas a hibernar no México, nos desfiladeiros de Michoacán, onde chegaram em finais de outubro e princípios de novembro; para sermos precisos, no Dia dos Mortos, a 2 de novembro. No mês de fevereiro, consoante as condições climatológicas, pois o calor aumenta, reproduzem-se e iniciam a migração em direção ao norte. São quatro gerações de borboletas, que percorrem uma rota de 4000 a 5000 quilómetros até ao Canadá.

Onde ocorrem as escalas do trajeto?

As primeiras chegam ao sul do Texas e põem os ovos numa planta-anfitriã específica, a asclépia. As larvas alimentam-se dessa planta. Crescem de forma impressionante em apenas um par de semanas e tecem o casulo à medida que entram na fase de crisálida. É precisamente a asclépia que torna tóxica a borboleta.

Com que objetivo?

É um mecanismo de defesa. Muitos organismos anunciam aos potenciais predadores, através da sua extraordinária visibilidade, que não são muito comestíveis. É o caso da monarca. Pense nas rãs tropicais, coloridas e mortais.

O que acontece à primeira geração?

A metamorfose culmina com o nascimento da borboleta, que voa para norte. Percorre entre 300 e 400 quilómetros, ou chega mesmo a fazer 800, e repete o ciclo: o adulto morre depois de pôr os ovos, que se transformam em larvas e borboletas. São os tetravós que chegam ao Canadá. Põem ovos ali. A geração canadiana, que nasce em finais de setembro, inicia a migração rumo ao sul. A diferença é que é feita por uma única geração. Chega a percorrer 120 km por dia, e atravessa o nordeste do México por rotas muito específicas. Foram detetadas até quatro rotas migratórias ao longo dessa faixa oriental. Finalmente, confluem num imenso rio de monarcas que vai desaguar no planalto dos estados do México e de Michoacán.

 

SUPER 221 - Setembro 2016

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