Solstício e relógios de Sol

altVai-se tornando tradição, pelo menos em Portugal, dedicar o dia do “solstício de verão” (21 de junho) a um instrumento muito antigo e cujo uso prático está quase completamente abandonado. No entanto, a sua evocação conduz, inevitavelmente, aos tempos em que os humanos primitivos iniciaram a caminhada que haveria de eliminar medos e superstições, a partir da observação da natureza e de tentativas para entender causas e efeitos das coisas que ocorriam, geralmente por sobre as suas cabeças, no decurso dos dias e das noites. Certamente, terão percebido que as sombras das árvores diminuíam na primeira parte de cada dia e que aumentavam depois disso, dedicando especial atenção ao momento em que ocorria a transição.

A mudança de direção das sombras e a variação do seu comprimento estarão na origem do gnómon – objeto designado por termo grego com significado de “ponteiro” –, componente dos relógios de Sol (também conhecidos por “quadrantes solares”) que projeta sombra (à semelhança das árvores) sobre uma superfície em que gravações mais ou menos perfeitas e sofisticadas permitem a leitura das horas, no sentido de “que horas são?”. Registos encontrados num papiro indicam que por volta do ano 1450 a.C., no Egito, eram usados gnómones em forma de L para medir o tempo e regular os calendários, tal como outros documentos antigos revelam que, na China, tal instrumento era usado frequentemente nas observações astronómicas.

altO uso do comprimento das sombras para medir o tempo dominava de tal modo a vida dos povos mais evoluídos que, cerca de quatro séculos antes do início da nossa era, o dramaturgo grego Aristófanes, na peça Assembleia das Mulheres, utiliza o tema para referir a prática da líder das mulheres decididas a governar Atenas, ao ordenar ao marido: “Quando a tua sombra for igual a dez vezes o comprimento do teu pé, são horas de vir jantar.”

Na entrada do décimo século da nossa era, os árabes tornar-se-iam herdeiros do conhecimento grego de medir o tempo, aparecendo, ao que parece, pela primeira vez, num trabalhode Ali Abul Hassan, um relógio de Sol em que o gnómon (ou estilete) era orientado para o polo norte. Parece certo terem sido os Cruzados a trazerem para a Europa este tipo de instrumento, razão da sua súbita disseminação e, consequentemente, do desaparecimento progressivo de outros modelos mais antigos.

A descoberta da América permitiria conhecer que incas e aztecas tinham feito uso do gnómon, durante séculos, para determinação de momentos importantes como equinócios e solstícios e para um notável conhecimento do calendário.

 

SUPER 218 - Junho 2016

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