Ultrapassagens celestes

altÉ sabido que todos os planetas do Sistema Solar giram em volta do Sol, no movimento designado por "translação". No entanto, por razões ligadas à génese de sistemas planetários em torno de estrelas, os planetas movem-se tanto mais rapidamente quanto mais próximas do corpo central forem as respetivas órbitas, facto que seria matematizado pelo astrónomo alemão Johannes Kepler, em 1619, na forma do que ficou conhecido pela "terceira lei de Kepler".

Das relações das velocidades dos movimentos planetários resultaram considerações e termos conhecidos por "período sideral" e "período sinódico", correspondendo o primeiro ao tempo gasto por cada planeta para completar uma volta (revolução) em torno do Sol e o segundo ao intervalo de tempo para que, visto da Terra, um planeta considerado ocupe a mesma posição da esfera celeste.

Se é verdade que o "período sideral" (o intervalo de tempo entre duas passagens do planeta pelo mesmo ponto da esfera celeste, como se ele fosse visto do Sol) não pode ser "visto" por um observador colocado sobre a Terra e, simplesmente, é o tempo que consideramos para a revolução de cada um deles (88 dias para Mercúrio, 225 dias para Vénus, 365 dias para a Terra e assim por diante), o mesmo não acontece com o "período sinódico". É que, neste caso, há que ter em conta o período sideral da Terra (o local de observação) e, simultaneamente, o período sideral do planeta em observação. Por exemplo, se, em determinado momento, um hipotético observador altcolocado no Sol visse Marte projetado na constelação do Escorpião, o mesmo não sucederia com um observador terrestre, que, geralmente, estaria deslocado "para a direita" ou "para a esquerda" do Sol e, pelo efeito de paralaxe, veria Marte noutra direção da esfera celeste. Passado um ano de Marte, ou seja, decorrido o período sideral marciano, que é de 687 dias, o observador solar veria Marte, de novo, na constelação do Escorpião, ao passo que a visão do observador terrestre seria consideravelmente diferente da anterior, dado o facto de a Terra se encontrar então numa outra posição, relativamente ao Sol e, necessariamente, a Marte.

Obviamente, a terceira lei de Kepler lembra-nos a razão de vermos os planetas "deslizando" pela esfera celeste, uns mais depressa do que outros (de acordo com as respetivas distâncias ao Sol) e, por isso, a perceber-se que, inevitavelmente, os mais rápidos ultrapassarão os menos velozes, embora isso aconteça com intervalos de tempo que não parecerão regulares. Há menos de um mês, Júpiter era observável ao princípio das noites e sabia-se que Vénus não era visível por se encontrar por "detrás" do Sol.

 

SUPER 221 - Setembro 2016

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