Caça aos asteroides

altEstima-se que seja superior a cem mil, o número de asteroides com brilho suficiente para poderem ser detetados por telescópios instalados em terra, sendo – na sua maioria – menores do que um quilómetro! Grande parte deles orbita o Sol a distâncias entre 2 e 3,5 unidades astronómicas (300 a 500 milhões de quilómetros), o que corresponde à região designada por "cintura de asteroides", situada entre Marte e Júpiter. Alguns têm tamanhos respeitáveis, como Ceres (934 quilómetros), descoberto em 1801, e Pallas (522 km), identificado no ano seguinte, a que se seguiram Juno, Vesta e mais 228 (descobertos na primeira década do século XIX), todos eles com mais de cem quilómetros.

Todos os anos se descobrem dezenas de asteroides, mas ainda se está longe de saber por onde andam os outros milhares que falta identificar. Não há dúvida de que giram "presos" pela enorme gravidade associada à massa do Sol e algumas vezes perturbados pelas gravidades de planetas nas proximidades dos quais passem, embora se tenha como certo que a maioria descreve órbitas suficientemente estabilizadas para se considerar pouco provável que saiam delas ou que venham a chocar com outro corpo do Sistema Solar. Dos outros, que vagueiam pelo espaço entre os planetas, o que se admite é que – sendo todos eles "restos" do material que deu origem ao Sol, aos planetas e a todos os corpos menores que o orbitam –, ao fim dos 4500 milhões de anos que decorreram desde o início da formação do Sistema Solar, a grande maioria se "arrumou" na "cintura de asteroides" e outros caíram para o Sol e para os planetas e luas, em particular para os possuem maiores massas. Consequentemente, o número de asteroides "errantes" é agora muito menor do que há dois ou três milhões de anos.

De todos estes factos e conjeturas, o mais empolgante é saber que os asteroides transportam em si elementos que, dadas as regiões em que orbitam, poderão manter-se inalterados, relativamente ao que eram no início da sua formação, acreditando-se mesmo que alguns deles poderão ter trazido para a Terra os elementos e compostos químicos que desencadearam mecanismos que conduziram ao aparecimento de vida. Daí o permanente interesse de investigadores de diversas áreas, em particular astrofísica e biologia, no estudo de meteoritos e "partículas cósmicas" que vão recolhendo em locais específicos da Terra ou através de "coletores espaciais", em naves lançadas no espaço, com possibilidades de regresso de algumas das suas partes, portadoras do material recolhido.

Em 1999, foi descoberto um asteroide (com tamanho de 493 metros, aproximadamente) a que foi dada a designação (final) de Bennu e que se tornou alvo preferido para investigação, dada a sua composição (rico em carbono, supostamente com compostos orgânicos e minerais contendo água), tamanho e proximidade à Terra. Enquanto continuava a ser atentamente vigiado pelo radar planetário instalado em Arecibo, a Agência Espacial Europeia e a NASA prepararam uma missão científica com o objetivo de lançar uma nave ao seu encontro e, ao fim de alguns anos, recolher material do Bennu.

altNo mês passado, foi lançada a nave OSIRIS-Rex (acrónimo de Spectral Interpretation, Resource Identification, Security – Regolith Explorer, que é também uma homenagem a Osíris, o deus egípcio do submundo, também associado com vida, morte e regeneração, uma alusão científica à natureza destrutiva dos impactos de asteroides mas também à convicção de que lhes poderá estar associada a origem da vida na Terra), que deverá pousar no asteroide em 2018, quando ele passar nas proximidades do nosso planeta (a cerca de 300 mil quilómetros) e ao qual permanecerá "agarrado" durante perto de cinco anos para recolher amostras (que podem atingir dois quilos) e… regressar à Terra em 2023.

 

SUPER 222 - Outubro 2016

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