Cristianismo à lupa

altEscrevo a propósito do artigo intitulado Estes Cristãos São Loucos! e publicado na edição especial História 2014. Julgo ser interessante o modo de abordar a temática, como o próprio facto de a abordar, tantas vezes deixada a lugares comuns pouco esclarecidos.

Penso que é necessário, contudo, ter maior atenção, cuidado e aprofundamento na pesquisa e posterior elaboração dos artigos. Com efeito, não se denota qual a situação a que o autor se refere ao afirmar que o cristianismo colocou a sociedade ameríndia numa “crise total”, senão matérias relacionadas com os imperialismos português e espanhol (questão essencialmente política e não religiosa).

Não me parece haver também qualquer base para considerar Barnabé como um opulento, quando a única referência que às suas posses temos na Bíblia é: “Um levita cipriota, de nome José, a quem os Apóstolos chamaram Barnabé, isto é, ‘filho da consolação’,  possuía uma terra; vendeu-a e trouxe a importância, que depositou aos pés dos Apóstolos” (Act. 4, 36-37).

A afirmação de que os judeus nunca tinham adorado outro deus que não Jeová também carece de fundamento, dado os judeus não dizerem o nome de Deus escrito (substituindo-o por “Adonai”, Senhor) e apenas um grupo religioso bastante minoritário de entre o número dos cristãos, as Testemunhas de Jeová, dar esse nome a Deus.

Afirma-se que Tertuliano foi patriarca; contudo, foi um presbítero/padre de Cartago, e não bispo.

Por fim, parece-me demasiadamente fundada no senso comum esta declaração: “O verdadeiro êxito da Igreja Católica manifestou-se quando os bárbaros destruidores de Roma sucumbiram, por sua vez, ao Cristianismo e a sociedade medieval fundiu religião e poder, iniciando a etapa mais longa e obscura que a Europa jamais conheceu. Apenas conseguimos sair dela quando se começou a destrinçar, sob as luzes do século XVIII, o poder político do religioso, reduzido a pouco e pouco à esfera pessoal.”

Ainda que a união entre o poder político e o religioso não tenha sido boa (ainda que tenha de ser considerada à luz do século X e afins), o que aconteceu no século XVIII deveu-se ao facto de a Igreja Católica, supostamente tão defensora das trevas, ter, durante centenas de anos, preservado, guardado e copiado as obras dos grandes clássicos pagãos gregos e latinos, assim como desenvolvido as técnicas agrícolas, medicinais, matemáticas e astronómicas durante este tempo, tanto quanto possível numa Europa que por vários motivos só nos séculos XVI e XVII conseguiu ter finalmente alguma paz.

Acrescento, para terminar, que o enaltecimento da redução da questão religiosa à esfera pessoal é alarmante, dado estarmos num estado de direito democrático onde a prática da religião tem necessariamente de ser livre, também com as suas manifestações exteriores, visto todo o homem, que é social, ter em si o anseio pelo transcendente.

Bernardo Amarelo (por email)

 

SUPER 198 - Outubro 2014

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