O cavaleiro do Graal

altNuno Álvares Pereira

Este herói, flor da nobreza, foi também o introdutor em Portugal da tática militar da burguesia. Foi, ao mesmo tempo, um homem medieval e moderno…

Pouco haverá por dizer acer­ca de D. Nuno Álva­res Pereira, mas não es­ta­rá, talvez, muito cla­ro no espírito dos portugueses o facto de toda a sua vida ter sido, de certo modo, um pa­ra­doxo.

Por nascimento, pertencia a uma grande família, embora fosse – como D. João I – um bas­tar­do. Nele, a bastardia era um re­flexo dos costumes do alto cle­ro medieval: o avô materno foi arcebispo de Braga: homem da Igreja, mas que, além de ter dei­xado prole, combateu brava­men­te na batalha do Salado, ao la­do de Afonso IV – e ao lado de um filho seu, Álvaro, que, como prior da Ordem do Hospital, es­ta­va igualmente obrigado ao ce­libato, o que não o impediu de gerar 32 (trinta e dois!) fi­lhos de várias mulheres. O mais novo, ou um dos mais novos, foi o nosso Nun’Álvares. No entanto, com este enquadramento e es­tes exemplos familiares (ou tal­vez por causa deles…), o ra­paz cresceu com claras tendên­cias ascéticas; o seu enlevo era a Demanda do Graal, o seu mo­de­lo D. Galaaz. É verdade que aos dezasseis anos aceitou, relutantemente, casar-se, e é verdade que terá sido um bom esposo para a mulher, D. Leo­nor Alvim; porém, logo que en­viu­vou, recusou os bons ofícios do rei, que queria arranjar-lhe outro casamento. Não há no­tícia de que tenha deixado bas­tardos. Isto, na época, era o que se pode chamar raro.

Continuemos com os pa­ra­doxos: Nun’Ál­va­res pertencia, como se disse, à nobreza, e a sua conceção de vida era a de um cavaleiro aristocrata. No entanto, e como sabemos, a tá­tica que lhe deu as grandes vi­tó­rias contra os exércitos de Castela é uma tática que po­de­remos chamar burguesa, quan­do não, mesmo, popular: o es­sencial é a infantaria, os homens que lutam “pé terra”, que cra­vam no chão os cotos das suas lanças virados contra os ca­va­los dos grandes senhores e a peonagem que contra eles lan­ça pedras, dardos e virotões. Foi assim nos Atoleiros, foi assim em Aljubarrota, foi também assim em Valverde. Em to­dos esses campos, a nobre ca­va­laria foi derrubada pelos mes­tei­rais e pela arraia-miúda…

Leia a continuação numa das nossas versões digitais:

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SUPER 197 - Setembro 2014


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