O bispo revolucionário

altD. António Alves Martins

Combatente liberal, condenado à morte evadido, jornalista, maçon, deputado, ministro – e bispo de Viseu. A sua figura extraordinária merece bem ser recordada.

O local, em Viseu, onde foi erguida a estátua de D. António Alves Mar­tins é o mesmo onde ele deveria ter sido executado… mas não nos antecipemos: es­te rijo transmontano nasceu na Granja de Alijó a 18 de fe­ve­reiro de 1808, numa família de lavradores. Não era um ano ri­sonho: em janeiro, a família real portuguesa chegara ao Bra­sil, subtraindo-se ao domínio das tropas napoleónicas que, sob o comando do general Ju­not, tinham invadido o país. A infância e o início da adolescên­cia de Alves Martins terão de­cor­rido, pois, na atmosfera agi­ta­da em que vivia todo o reino.

Desde já convém apontar um fac­to curioso e quiçá significati­vo: este homem, que, como ecle­siás­tico, escandalizou seriamen­te os meios conservadores da Igre­ja, foi um franciscano, isto é: pertenceu a uma ordem que já tinha seculares tradições de não-conformismo e até mesmo de uma tendencial heterodoxia. Terá sido esse um dos fatores que moldaram o espírito de Al­ves Martins? Quem poderá di­zê-lo? Seja como for, aos 16 anos tomou o hábito franciscano. Foi, portanto, em 1824, um ano não menos agitado do que o do seu nascimento: os france­ses tinham partido, Napoleão já morrera, porém a paz não vol­tara ao reino, dilacerado pe­las lutas entre liberais e miguelistas. Esse ano foi, aliás, o da Abrilada, golpe abso­lu­tis­ta chefiado pelo infante D. Miguel contra o rei D. João VI, seu pai.

Depois de tomar o hábito, o jo­vem António entrou no Colé­gio das Artes, em Coimbra, pa­ra vir a seguir uma carreira uni­versitária. Quatro anos mais tar­de, em 1828, com apenas vin­te anos, estava já no terceiro ano de teologia, e, então, foi ir­ra­diado da universidade. Desde sempre, a bem dizer, ele tinha aderido de alma e cora­ção à causa constitucionalista e, nesse mesmo ano de 1828, com­prometeu-se com um movi­men­to que eclodiu no Porto, on­de se formou uma Junta Revo­lu­cionária. Quando as tropas li­berais evacuaram Coimbra, se­guiu-as e veio mesmo a assen­tar praça no Regimento de Vo­lun­tários de Alijó. Todos estes a­tos viriam a ter sérias conse­quên­cias mais tarde…

SUPER 198 - Outubro 2014

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