Os ilustres tugas

Boom português no Brasil

altA produção dos criadores contemporâneos portugueses ganha destaque na Bienal de São Paulo e noutras importantes exposições brasileiras, fortalecendo o diálogo entre os dois países.

Principal evento de artes visuais do Brasil, a Bienal Internacional de São Paulo apresenta, na sua 32.ª edição, que termina em dezembro, obras de cinco artistas contemporâneos portugueses. O número salta aos olhos, não apenas por ser maior do que o dos artistas de qualquer outro país europeu, mas também quando se recorda que as últimas duas edições do evento receberam apenas um convidado português cada uma.

Logo ao lado do Pavilhão da Bienal, também no Parque Ibirapuera, o mais importante da capital paulistana, a megaexposição Portugal, Portugueses reúne até janeiro obras de 48 artistas no Museu Afro Brasil, na maior mostra de arte contemporânea portuguesa já realizada no país sul-americano. Para completar o quadro, não muito longe dali, no bairro do Jardim América, o Consulado Geral de Portugal apresenta a exposição O Futuro Será uma Réplica, com trabalhos dos mesmos cinco artistas selecionados para a Bienal. "Acho que ainda existe um desconhecimento grande entre os dois países, tanto em relação à arte contemporânea portuguesa no Brasil quanto em relação à arte contemporânea brasileira em Portugal, mas o intercâmbio tem crescido cada vez mais, e as coisas parecem estar a mudar", diz a curadora e consultora cultural do consulado, Isabella Lenzi.

Diretor do Museu Afro Brasil e curador da mostra na instituição, Emanoel Araújo segue na mesma linha: "Portugal e Brasil sempre tiveram um certo pé atrás um com o outro. Claro que isso vem da colonização, mas também acho que faltam políticas públicas que aproximem mais os dois países. De qualquer modo, sinto que esse pé atrás está cada vez menor", diz ele.

altPara o alemão radicado no Brasil Jochen Volz, um dos curadores da Bienal de São Paulo, a forte presença da arte portuguesa no Brasil neste momento não tem a ver apenas com um aumento no intercâmbio cultural entre os países, mas com a própria qualidade da arte produzida hoje em Portugal: "Nos últimos anos, tenho percebido uma forte produção de jovens artistas portugueses. Por isso, durante o processo de conceção do projeto da Bienal, eu e o outro curador, Lars Bang Larsen, decidimos fazer uma viagem a Lisboa e ao Porto, e, de facto, encontrámos uma cena extremamente interessante", diz Volz.

Foi naquele momento, em visitas a instituições, galerias e ateliês, que se depararam com os trabalhos da veterana Lourdes Castro e dos jovens Carla Filipe, Gabriel Abrantes, Grada Kilomba e Priscila Fernandes, escolhidos para integrar os 81 artistas que atualmente expõem na Bienal.

Viagens transatlânticas

Em relação ao crescente diálogo entre os países, os curadores das três exposições concordam que há nisso uma influência direta das crises económicas vividas dos dois lados do oceano nos últimos anos. Primeiro, com a crise que se instalou em Portugal a partir de 2009, durante um período estável vivido no Brasil, um grande número de profissionais portugueses atravessou o Atlântico em busca de melhores condições de trabalho.

"Veio principalmente um grupo de pessoas na casa dos 20 a 40 anos, incluindo muitos arquitetos, atores e artistas... Com isso, começou a aumentar no Brasil o conhecimento em relação à produção contemporânea portuguesa, primeiro num meio mais específico e depois de modo mais amplo, quando a coisa chegou às instituições", diz Lenzi.

Vale a pena lembrar, por exemplo, que a nova curadora do Instituto Inhotim, um dos mais destacados espaços de arte contemporânea do mundo, localizado em Minas Gerais, é a portuguesa Marta Mestre, que se mudou para o Brasil no momento da crise e, após alguns anos de trabalho no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, assume agora um dos cargos mais desejados entre os curadores de arte.

Mais recentemente, com a melhoria na situação económica em Portugal e a crise no Brasil, que passa também por um momento de grande instabilidade política, o movimento parece ter mudado de sentido, com mais brasileiros a mudar-se para Portugal. Consequentemente, o Brasil parece intensificar o seu olhar para a cultura contemporânea portuguesa. "Lisboa e Porto são cidades muito efervescentes, muito jovens, e tornaram-se muito atraentes. Portugal sempre foi a porta de entrada da Europa para os brasileiros", diz Araújo.

 

SUPER 224 - Dezembro 2016

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