Ontem, hoje, amanhã

Os carros elétricos do futuro

altO desenvolvimento dos automóveis elétricos segue em ritmo acelerado. A autonomia das baterias está a subir, nos modelos que estão já no mercado, mas uma revolução maior está marcada para o final da década. Opel Ampera-e e Volkswagen I.D. mostram o que é o "hoje" e o que poderá ser o "amanhã" dos carros sem emissões poluentes.

Este automóvel foi feito a partir da bateria, que ocupa todo o piso", explica Rainer Bachen, engenheiro líder do desenvolvimento do Opel Ampera-e, enquanto guia o novo modelo na primeira demonstração dinâmica à imprensa. O novo familiar 100% elétrico que a Opel vai lançar no mercado europeu durante os próximos meses tem no aumento substancial da autonomia o seu maior trunfo, com a marca a anunciar um máximo de 500 quilómetros, segundo o ciclo NEDC. "Numa utilização real, a autonomia é superior aos 380 km, e tenho colegas meus que já ultrapassaram os 400 km", continua Bachen, enquanto acelera a fundo e catapulta o Ampera-e para diante com uma aceleração que nenhum automóvel à nossa volta consegue acompanhar, nesta primeira experiência em estradas públicas em redor da sede da marca em Rüsselsheim (Alemanha).

Para já, a Opel ainda não deixou a imprensa guiar o novo modelo, que do antigo Ampera híbrido (um relativo fiasco de vendas) só mantém o nome, mas é óbvio que o silêncio a bordo é um dado adquirido, só interrompido abaixo dos 30 km/h, quando um som que parece uma sirene asfixiada é emitido para avisar os peões da presença do veículo.

A outra constatação óbvia é o excelente aproveitamento do espaço interior, num modelo que mede apenas 4,17 metros de comprimento. Com um compartimento dianteiro de motor muito mais pequeno do que num automóvel com motor térmico, e um piso interior totalmente plano, devido à forma da bateria, espaço não falta, tanto nos dois lugares da frente como nos três de trás, e ainda sobra algum para uma mala com 381 litros de capacidade.

altA Opel ainda não desvendou todos os pormenores técnicos deste novo modelo 100% elétrico, mas avançou que a aceleração de zero até aos 50 km/h é de 3,2 segundos, mais rápida do que a do seu modelo de competição, o Astra TCR. O motor tem 204 cavalos de potência máxima e 360 newtons-metro de binário máximo, desde o arranque, como é hábito nos motores elétricos. É por isso que nenhum automóvel de motor térmico o consegue acompanhar no trânsito, mas a velocidade máxima está limitada aos 150 km/h, para impedir o condutor de descarregar a bateria depressa demais.

A condução de um automóvel elétrico requer alguma habituação, pois para ser o mais eficiente possível é necessário estar sempre atento a qual dos dois tipos de condução será o melhor, de acordo com o perfil da estrada e as condições do trânsito. A dúvida é sempre entre qual de duas estratégias utilizar. A primeira é deixar o carro deslizar, depois de atingidas velocidades mais elevadas ou em descidas prolongadas, aproveitando a inércia acumulada. A segunda hipótese é escolher um modo de regeneração, que carrega a bateria mas trava o andamento.

Para dar todas as hipóteses ao condutor, a Opel dotou o Ampera-e de quatro níveis de regeneração, que podem ser selecionados através da alavanca da transmissão. Em modo "D", é dado privilégio à inércia; em modo "L", entra-se em regeneração máxima. A Opel afirma que, neste último modo, é possível conduzir em cidade sem sequer usar o pedal de travão, tal é a intensidade da travagem regenerativa. Porém, isso obriga a calcular muito bem a distância até ao local em que o Ampera-e se tem de imobilizar. Entre os dois modos, o condutor pode depois carregar numa patilha atrás do volante para aumentar ou diminuir a intensidade da regeneração, o que funciona quase como uma redução numa caixa de velocidades com patilhas.

altO Ampera-e é feito com base numa nova plataforma, preparada para dar origem a modelos maiores, que é usada para o modelo gémeo vendido nos Estados Unidos, o Chevrolet Bolt. Tem motor à frente e tração às rodas dianteiras. A marca considera que é uma solução mais segura em termos de condução, tendo em conta o elevado binário disponível, do que colocar o motor atrás e a tração às rodas traseiras.

A bateria é o coração do carro, desde logo porque é muito maior do que o habitual em modelos concorrentes, como o Nissan Leaf, por exemplo. Com 288 células fornecidas pela LG Electronics, a Opel construiu uma bateria de 60 quilowatts-hora que pesa 460 quilos, quase o dobro das da concorrência. O aumento da autonomia tem sempre um preço...

A Renault acaba de anunciar um aumento de autonomia do seu modelo Zoe, o elétrico mais vendido na Europa, para os 400 km no ciclo NEDC, a que corresponde uma autonomia de 300 km em utilização real, mantendo a mesma caixa exterior da bateria, aumentando o peso em apenas 20 kg, ficando o total nos 310 kg, devido a novas células, que aproveitam melhor a área disponível e fazem aumentar a capacidade para os 41 kWh. Por seu lado, a Peugeot/ Citroën acredita que em 2019 vamos assistir à primeira revolução na eficiência das baterias, no que à relação peso/capacidade diz respeito, com a introdução da terceira geração de baterias de iões de lítio, apontando para os 50 kWh e para 450 km de autonomia real.

A Opel fala pouco dos tempos de recarga completa desta bateria, preferindo dizer que os utilizadores do Ampera-e vão fazer como hoje todos fazemos com os telemóveis: sempre que possível, pômo-los a carregar, nunca deixando a bateria chegar ao fim. Dentro deste tipo de utilização, a Opel diz que, num carregador de 50 kW, bastam 30 minutos para obter uma carga suficiente para 150 km. No entanto, sabemos que os tempos de carga total estão longe de ser lineares. Ao fim de alguma insistência, um engenheiro da Opel admitiu que, numa tomada doméstica europeia, a bateria levaria 14 horas a carregar a partir do mínimo de carga.

A conectividade está no centro da utilização dos próximos modelos elétricos, que começaram por ser comprados pelos entusiastas das novas tecnologias, mas rapidamente irão começar a ser uma opção para muitos mais automobilistas. A Opel prepara um conjunto de aplicações para telemóvel que colocam o Ampera-e em contato permanente com o seu utilizador. Uma das mais interessantes calcula o tempo mínimo de carga da bateria numa tomada, tendo em conta aquilo que vai poder depois regenerar em andamento, uma vez introduzido o próximo percurso a realizar, no sistema de navegação.

 

SUPER 224 - Dezembro 2016

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