O firmamento de Cabo Verde

altEm Setembro de 1497 já a frota de Vasco da Gama navegava para além das ilhas de Cabo Verde depois de, por estas paragens, terem sido determinadas as respectivas posições, não só pela Estrela Polar (ainda visível) e pelo Sol. Com efeito, no “Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama” (de autor ainda não identificado), nos primeiros dias de Agosto ainda a frota se encontrava nas proximidades da ilha de Santiago, tendo daí partido para a “Volta ao Largo” da qual não há registos no referido Roteiro, ao que parece, devido ao segredo em que ainda era mantida tal “manobra”.

Se é verdade que para os pilotos não seria estranho o facto de a Polar se encontrar muito mais perto do horizonte do que em Lisboa e o Sol bem mais elevado, para a maioria dos marinheiros tais factos constituiriam razão para alguma estranheza, em particular por, em determinadas épocas e certas paragens, o Sol poder passar sobre as próprias cabeças ou mesmo “tombar” para Norte fazendo aparecer sombras em direcção contrária à habitualmente observada em regiões francamente para Norte de Cabo Verde. Também as Ursas, apesar de continuarem a girar em torno de um ponto fixo da esfera celeste (o Pólo Celeste Norte) eram vistas a mergulhar no mar, na sua totalidade a Ursa Maior e as “guardas” da Menor.

O Escorpião – naquela época como agora – apresenta-se consideravelmente mais elevado, tal como o Sagitário, ficando bem visível (entre aquelas duas constelações) a Coroa Austral, um grupo de estrelas sugerindo imagem idêntica à que se identifica na parte norte do céu (Coroa Boreal) entre as constelações do Hércules e do Boieiro.

Ao princípio das noites de Março é magnífica a visibilidade da região do Cruzeiro do Sul. Embora baixa, no horizonte, a Sul, o Cruzeiro surge a Sudeste como que “envolvido” por algumas estrelas do Centauro e como que a “perseguir” o “falso cruzeiro”, um agrupamento de estrelas em posições relativas muito semelhantes às do “verdadeiro” Cruzeiro, só que mais separadas e sem qualquer alinhamento possível para o pólo sul. O “falso cruzeiro” é actualmente a constelação da Popa (parte de trás do navio) que, conjuntamente com a Quilha (em que se destaca a estrela Canópo) e a Vela, constituiu, em tempos, uma única constelação (Navio).

Com o decorrer das noites (do princípio de Março), o Cruzeiro eleva-se um pouco enquanto Canópo mergulha no horizonte e no lado oposto surge o que falta do Centauro, em particular a estrela alfa dessa constelação (Rígil) e Adar (a segunda estrela mais brilhante).

À medida que se viajar para Sul ver-se-á toda a região do Cruzeiro mais elevada em relação ao horizonte e, naturalmente, a partir do Equador deixará de se avistar a Estrela Polar, tornando-se então observável o Pólo Celeste Sul, região da esfera celeste onde não se avista qualquer estrela. Tal facto ditou a necessidade de se estabelecer o “Regimento do Cruzeiro”, um conjunto de regras semelhantes às do “Regimento da Polar” e que pelo alinhamento das duas estrelas que constituem o “braço maior” da cruz, conduzem ao ponto em torno do qual se vê – a partir de latitudes sul – o céu a rodar.

 

O céu de Setembro

Os planetas Vénus, Marte e Saturno estão quase a ser “apanhados” pelo Sol e, por isso, são observáveis por muito pouco tempo, a seguir ao pôr-do-sol, razão por que não são representados no desenho correspondente ao céu das 21.30h. Na verdade, é o ininterrupto movimento de translação da Terra que origina o “movimento anual aparente” do Sol que se traduz na sua projecção “sobre” estrelas sempre diferentes que se encontram ao longo da faixa do Zodíaco e na qual se representam as doze constelações zodiacais.

Sendo esse deslocamento aparente do Sol resultado do movimento de translação da Terra, ele é mais lento do que os de Mercúrio e Vénus e mais rápido do que os de todos os outros. Assim, o Sol “ultrapassará” Marte e Saturno, enquanto Vénus será “apanhado” porque percorre agora a trajectória entre a Terra e o Sol, durante a qual parece “voltar para trás”.

Do “movimento anual do Sol” resulta então que as constelações vão mergulhando no crepúsculo, a Oeste e, por isso, se vai alterando o aspecto do céu observável a uma certa hora e os planetas podem deixar de ser observáveis a partir da Terra por se encontrarem em direcções próximas daquela em que se projecta a nossa estrela. No que respeita ao aspecto do céu, o início das noites mostrará o Escorpião cada vez mais próximo do horizonte, a Oeste (até acabar por perder visibilidade), enquanto a Este vão emergindo constelações como os Peixes, o Carneiro, o Touro e, com o decorrer dos meses, todas as constelações zodiacais.

Pela mesma razão (o movimento aparente do Sol), no lado norte avista-se a Ursa Maior cada vez mais próxima do horizonte, a Noroeste, enquanto a Nordeste a Cassiopeia se mostra progressivamente mais elevada, sendo seguida pela constelação do Perseu. Simultaneamente, a posição da Via Láctea vai-se alterando, avistando-se agora ligeiramente “tombada” para Este mas surgindo cada vez mais próxima do zénite, para depois ir tombando para Oeste.

Júpiter – sobre a constelação dos Peixes e ligeiramente abaixo do “Quadrado do Pégaso” – é agora o único planeta visível no céu, durante toda a noite, vindo a ser acompanhado pela Lua, já perto de meados do mês. Depois de, no dia 13, se colocar ao lado da estrela Antares (a mais brilhante do Escorpião), a Lua alcançará a fase de Quarto Crescente em plena constelação do Sagitário para depois continuar o seu percurso até à fase de Lua Cheia, ocasião em que se mostrará ligeiramente “acima” de Júpiter.

 

As fases da Lua

Quarto Minguante Dia 1 às 18h22

Lua Nova Dia 8 às 11h30

Quarto Crescente Dia 15 às 06h50

Lua Cheia Dia 23 às 09h17 

 

SUPER 149 - Setembro 2010


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