Venenosa, eu?

altCrónica negra da criminalidade feminina

Eles matam mais e com maior violência do que elas, enquanto as assassinas cometem os crimes com cautela e discrição. Percorremos a história dos envenenamentos, desde as misturadoras de plantas da Antiguidade até às actuais homicidas.

Em 1954, chegou a Valência (Espanha)Pilar Prades, uma mulher generosa, segundo os que a conheciam, “alegre e sociável”, como a descreve a escritora Cinzia Tani no livro Assassinas (2003). Esse bom feitio contribuiu para que fosse contratada por Enrique Vilanova e Adela Pascual como empregada doméstica. Graças à sua dedicação, em breve se tornou imprescindível para a senhora, a qual começou misteriosamente a sofrer de desmaios e dores intensas que acabariam por provocar o seu internamento e, posteriormente, a morte. Viúvo e amargurado, Enrique resolveu fechar a casa e despediu Pilar, na ignorância de que era ela a responsável pela morte da mulher, através do método de administrar-lhe diariamente pequenas doses de um mata-formigas que continha arsénico.

Pilar ficou sem emprego, mas não tardou a encontrar outro lar para se instalar: o de Manuel Berenguer, um médico casado e com dois filhos. Na casa, trabalhava também uma cozinheira, Aurélia, que Pilar começou a intoxicar, desejosa de ocupar o seu lugar. Hospitalizada, Aurélia melhorou, mas, quando a dona da casa também adoeceu, Berenguer começou a suspeitar de que algo se passava. Contactou Enrique, o antigo patrão de Pilar, e conseguiram autorização para exumar os restos mortais de Adela. A autópsia revelou vestígios de arsénico, que surgiram igualmente nas análises efectuadas à cozinheira e à mulher do médico. Pilar Prades foi presa e tornou-se, em 1959, a derradeira mulher a ser executada em Espanha. Fazia parte dessa ancestral estirpe de assassinas que recorrem ao veneno para matar.

Em Portugal, a população prisional era composta, em 2008, por 11.152 reclusos, dos quais 10.427 homens e apenas 725 mulheres, segundo dados fornecidos pela Direcção-Geral dos Serviços Prisionais, os quais indicam que 60 por cento das mulheres detidas tinham sido condenadas por crimes relativos a estupefacientes. Com efeito, 531 estavam condenadas por tráfico de droga, um crime frequentemente cometido para sustentar a família e que acaba por envolver todos os seus elementos. Estes dados parecem desmentir o criminalista italiano do século XIX Cesare Lombroso, que considerava um erro educar as mulheres, pois a dedicação aos afazeres domésticos e à maternidade as mantinha afastadas do delito; vaticinava que, se fossem levadas a trabalhar fora do lar, acabariam por cometer tantos crimes como os homens. Hoje, continua a desconhecer-se as causas da menor incidência feminina na deliquência, embora se adiantem explicações genéticas, psicológicas, fisiológicas e socioculturais.

Alguns especialistas em psicologia criminal e comportamentos desviantes asseguram que as meninas tendem a procurar objectivos relacionais e afectivos, enquanto os meninos são mais agressivos e revelam piores capacidades sociais. É também a opinião do perito forense José António Garcia-Andrade, que acrescenta mesmo que “o acto criminoso não se deve a um único factor, da mesma forma que a testosterona não explica por si só o maior índice de criminalidade masculina”. E destaca outro dado: “Nos povos primitivos, a incidência do crime feminino era de 3%, mas essa percentagem tem subido paulatinamente à medida que aumenta a socialização.”

Em todos os estudos comparativos sobre criminalidade, os homens ultrapassam as mulheres excepto numa categoria: o recurso ao veneno como arma. É o que comprova a investigação de Eric Hickey, perito em homicídios múltiplos da Alliant International University, em Sacramento (Estados Unidos): após analisar os casos de 34 assassinas em série que tinham actuado naquele país entre 1795 e 1988, descobriu que o método mais utilizado por elas era o envenenamento, enquanto os assassinos em série masculinos preferiam as armas brancas ou de fogo. Em 1998, os psicólogos Wayne Wilson e Tonya Hilton, da Stephen F. Austin State University (Texas), chegaram à mesma conclusão, depois de analisarem 58 casos nos Estados Unidos e 47 de outros 17 países.

Especialistas nos poderes vegetais

Elas preferem a peçonha mas, consoante a intenção, é necessário distinguir entre envenenamento e intoxicação: o primeiro ocorre quando se administra intencionalmente uma substância que se sabe ser nociva para a saúde; o segundo, quando se desconhece esse factor. Daí que o envenenamento possa ser qualificado como assassínio, enquanto a intoxicação não passaria de homicídio involuntário.

As primeiras referências à utilização de venenos aludem a plantas como a dormideira ou o meimendro, descritas no Código de Hammurabi (1700 a.C.) e em ideogramas sumérios que datam de 2500 a.C. Em certas sociedades, tratava-se de um método para executar uma sentença de morte: o filósofo grego Sócrates foi condenado, em 399 a.C., a ingerir cicuta por “perverter os jovens” com as suas ideias revolucionárias. Na antiga Roma, intensificou-se a sua utilização, e o veneno constituía, para as classes patrícias, o meio habitual para se ver livre dos opositores políticos. Foi assim que morreram Britânico, Cláudio e o cônsul Postumio Albino, todos vítimas das chamadas “farmacólogas”, mulheres peritas em toxicidade vegetal.

“O mundo das envenenadoras faz parte de uma história remota; as mulheres do Paleolítico já estudavam as plantas e os seus efeitos enquanto os homens caçavam”, explica Garcia-Andrade. No Renascimento, entre as maldades atribuídas a Lucrécia Bórgia figurava a de usar um anel oco que enchia com uma poção para deitar nas bebidas. Posteriormente, a francesa Catherine Deshayes, conhecida por La Voisin, conseguiu tornar o método ainda mais requintado durante o reinado de Luís XIV. Tinha duas técnicas preferidas: a primeira consistia em polvilhar o pêlo de certos animais domésticos com arsénico, para que os donos o inalassem ao fazer-lhes festas. O outro era ainda mais eficaz: lavava a roupa da vítima com uma mistura de sabão e arsénico, assegurando-se, assim, de que o veneno seria absorvido através da pele.

Por que será o veneno tão atraente para este tipo de assassinas? De acordo com o italiano Giovan Battista, jurista especializado em direito penal, este sistema de cometer assassínios possui inegáveis vantagens para o criminoso: “pela facilidade de ocultamento e escasso volume; além disso, adquire-se de forma anónima e com pouco esforço, não implica uma despesa económica importante, mata de imediato e poupa o derramamento de sangue”. Depois, o que a envenenadora pretende, acrescenta, é “não tocar na vítima, conseguir um crime limpo com substâncias que são introduzidas pouco a pouco e sem levantar suspeitas; tóxicos que sejam fáceis de obter e de camuflar, que se transformem em armas silenciosas”. De um certo ponto de vista, o veneno provoca uma morte relativamente humana e não requer uma acção directa, pois é a própria vítima a ingeri-lo de livre vontade.

Alguns peritos consideram que estas características estão em perfeita consonância com a personalidade feminina. A repulsa das mulheres pela violência e pelo derramamento de sangue casa bem com o recurso a substâncias que podem matar de forma limpa. Além disso, a menor força física da mulher é substituída pela astúcia, pela dissimulação e pela decisão; revela-se mais esperta do que o homem e sabe aguardar a ocasião oportuna, pois premeditou e procurou o melhor momento para administrar o tóxico.

Outro dado curioso é indicado pelo psicólogo Vicente Garrido Genovés no livro A Mente Criminosa: “As mulheres matam pessoas que conhecem, muitas vezes do seu círculo familiar ou de amizades. Por isso se compreende que o veneno seja o instrumento preferido para assassinar. Requer proximidade da vítima e a confiança de quem o ingere.”

O "top" da popularidade tóxica

Foi o que se passou no caso de Maria Parra, mulher do jovem fazendeiro Teodomiro Eraus. Em 1916, o casal vivia tranquilamente numa quinta junto de uma povoação quando ela descobriu que o marido mantinha relações com uma das criadas. Com o orgulho ferido, não manifestou sinais de zanga diante de Teo­domiro, mas começou a engendrar uma terrível vingança. Conseguiu juntar pós de estricnina e esperou pela melhor oportunidade, que chegaria numa noite de Agosto: antes de ele se ir embora para se encontrar com a amante, Maria ofereceu-lhe um copo de leite. Sem que a mão lhe tremesse, misturara os pós com o açúcar. Ele bebeu a mistela e caiu no chão, cheio de dores de estômago e convulsões. Maria não se comoveu ao vê-lo a retorcer-se pelo quarto, enquanto o recriminava e lhe dizia que sabia tudo e que ele nunca mais se riria dela.

Este crime reflecte outra das constantes entre as envenenadoras, a sua proveniência social e profissional: criadas e mães de família têm sido, tradicionalmente, as mulheres com maior propensão para recorrer ao método. O fácil acesso aos alimentos e à dispensa colocava-as na posição ideal para elaborar pratos com veneno ou dissimular os agentes tóxicos na ementa. Actualmente, a maior parte dos casos verifica-se entre donas-de-casa e profissionais do sector da saúde, dada a facilidade de conseguirem dispor de drogas e medicamentos. Das 34 assassinas em série estudadas por Eric Hickey, seis eram enfermeiras.

Relativamente ao tipo de veneno, depende da imaginação da assassina, do seu poder económico e da facilidade de acesso à botica. Entre os mais comuns, figuram o arsénico, os raticidas e certos medicamentos, como antidepressivos e antipsicóticos, quando administrados em doses letais.

Em 1889, outra espanhola, Pelegrina Montesis, foi detida pela morte do marido, que causara servindo-lhe puré ao qual acrescentava pó de vidro. A insólita mistura levou o Su­pre­mo Tribunal de Justiça do país a proferir um acórdão no qual estabelecia que “veneno é qualquer substância que, introduzida no organismo, possa causar a morte ou graves distúrbios; não interessa que a sua acção seja química ou mecânica, pertença ao mundo mineral, vegetal ou animal, admitindo-se que possa ser administrado por qualquer via: inalação, ingestão ou injecção”.

Sem esse acórdão, talvez também não tivesse sido condenada outra mulher que matara o tio ao misturar na comida que lhe preparava moscas venenosas maceradas em vinho; ou outra que envenenou o amante com sal de mercúrio. Provavelmente, também se teria livrado da cadeia a mulher que dava a comer ao marido pontas de alfinete que ela própria cortara dentro das sandes para o lanche.

Por incrível que pareça, muitos destes casos demoram a ser descobertos, pois a detecção da substância no organismo não é fácil, nem os seus efeitos tão fulminantes como seria de esperar. A toxicidade pode manifestar-se 24 horas depois da ingestão, nos 15 dias seguintes, passados três meses ou mesmo mais tarde.

Esperar a oportunidade

Obviamente, quanto mais tempo tardarem a manifestar-se os primeiros efeitos, maior é a dificuldade para se suspeitar de um assassínio. É talvez por isso que o envenenamento ocupa uma das últimas posições nos índices de deliquência, sendo considerado a estatística negra do crime. Com efeito, é sob essa denominação que se englobam assassínios e homicídios que passam por mortes naturais, suicídios ou acidentes domésticos.

O carácter feminino também poderá ter contribuído para esse efeito de dissimulação. A mulher tem mais paciência do que o homem, é capaz de esperar dias ou meses até conseguir o seu propósito, e vê a vítima sofrer sem se comover. Os seus crimes são mais insidiosos e sofisticados. Elas pensam que o delito irá passar despercebido e que será difícil de provar. Felizmente, a maior parte dos venenos já é detectável através de análises, embora sem a rapidez que seria desejável. Os investigadores norte-americanos Wilson e Hilton constataram que as assassinas ouvidas asseguravam ter recorrido a um tóxico porque demoravam mais a ser descobertas do que se tivessem utilizado uma pistola ou outros métodos.

Foi Mateo José Buenaventura Orfila, nascido em 1787 na ilha de Minorca e autor do Tratado dos Venenos, quem deu o primeiro passo para evitar a impunidade. Professor catedrático de medicina legal na Universidade de Paris, Orfila verificou que, na época, a maior parte dessas substâncias eram indetectáveis, em parte por serem misturadas com marisco ou fungos para parecer que a morte se devia a uma intoxicação alimentar. Nessa altura, começou a estudar técnicas de detecção. “Com a investigação de Orfila, a utilização do veneno como arma diminuiu”, afirma Garcia-Andrade, “embora não tivesse acabado de vez com as envenenadoras.”

Em Portugal, o trabalho pioneiro de António da Costa Simões estabeleceu a ciência forense aplicada na detecção de substâncias tóxicas em casos suspeitos de envenenamentos. Num conjunto de artigos que publicou em O Instituto, em 1855, este médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra descreveu em pormenor os métodos utilizados em análises de amostras de casos ­reais. As primeiras análises foram efectuadas no Laboratório Chimico da Faculdade de Filosofia mas, graças à acção de outro médico e professor, Macedo Pinto, os trabalhos passaram a ser realizados num gabinete, devidamente equipado, da Faculdade de Medicina.

As análises são feitas a cadáveres e a pes­soas vivas; nestas, basta observar, por vezes, o tom da pele, o odor do hálito ou o estado geral para intuir se alguém foi intoxicado. As taquicardias podem dever-se ao consumo de cocaína; o delírio, à presença de beladona, chumbo ou arsénico; os espasmos uterinos, a um excesso de fósforo; as contracções faciais, ao chumbo ou a grandes doses de mercúrio.

Absorvido pelo organismo

Seja como for, não há provas conclusivas até terem sido feitos os exames médicos adequados. No caso dos cadáveres, a detecção pode tornar-se mais complexa: o veneno tende a desaparecer, pois é absorvido pelo organismo. Por isso, os especialistas em medicina forense dedicam especial atenção às unhas e ao cabelo, onde os tóxicos permanecem mais tempo, sem esquecer o resto do corpo humano.

Porém, apesar dos avanços neste campo, continuam a surgir casos como o da francesa Marie Besnard (1896–1980), que “despachou” dois maridos, o pai e a mãe, o sogro e a sogra e mais seis parentes e amigos. E há ainda o célebre caso de Grace Duff, a “envenenadora de Croydon” (Londres) que assassinou a sangue-frio, na década de 1920, três membros da sua família.

Haverá uma envenenadora-tipo? A jornalista e criminóloga M. Donis traça o seu perfil: “Uma mulher que gosta de reflectir, tranquila e que inspira confiança à futura vítima. Simultaneamente, é insidiosa, perversa e insensível, afectiva e moralmente.” Por que motivo nos fascinam estes casos, ao ponto de os livros sobre o tema se transformarem em best-sellers? “Porque ninguém se considera capaz de cometer um crime tão cruel, tão pérfido. É por isso que se admira quem o consegue, embora concentremos a admiração no criminoso, nunca na vítima.” Todavia, embora nos possam fascinar, não nos devemos esquecer que, se nos tivéssemos atravessado no seu caminho, elas não teriam hesitado em envenenar-nos.

N.J.R./I.J.

 

O síndroma de Münchhausen por procuração

No mundo dos envenenamentos, há uma modalidade surpreendente designada por “síndroma de Munchhausen por procuração”. Afecta quase exclusivamente as mulheres e consiste numa disfunção mental que provoca na pessoa a necessidade constante de atenção ou de sentir-se indispensável por familiares, em especial pelos filhos. Para conseguir essa dependência, chega a recorrer ao envenenamento, não com o intuito de matar mas para provocar uma doença sobre a qual possa concentrar a sua energia. Outra variante consiste em não administrar os fármacos de que os doen­tes necessitam para continuar, desse modo, a mantê-los dependentes.

Nos Estados Unidos, estima-se que esta síndrome é responsável por cerca de dez por cento da mortalidade infantil, e verificam-se casos tão terríveis como o de uma menina que foi operada 34 vezes para corrigir um problema que a fazia vomitar tudo o que ingeria. Quando as autoridades investigaram a fundo o caso, descobriram a causa dos vómitos: as minúsculas doses de arsénico que a mãe lhe dava em segredo.

 

Homens peçonhentos

Autilização de armas tóxicas como arma letal não é um exclusivo das mulheres. Houve grandes envenenadores, como o médico americano Hamson, que foi condenado à morte, em 1851, por ter envenenado o cunhado, fazendo-o tomar aconitina (alcalóide de Aconitum napellus). E podemos referir ainda o curioso caso do funcionário de uma prestigiada escola inglesa que foi preso por tentativa de envenenamento dos alunos, ao colocar gasóleo na sopa do almoço. Por outro lado, se algumas mulheres receberam a alcunha de “viúvas negras” pela semelhança com as sinistras aranhas, determinados homicidas já foram descritos como “anjos da morte”, pois matam, de acordo co os seus critérios, para aliviar o sofrimentos das vítimas.

Este tipo de casos costuma verificar-se entre profissionais de saúde ou assistentes sociais, indivíduos como Harold Shipman, um afável médico de família inglês que trabalhava em Hyde, perto de Manchester. Agiu com impunidade durante 15 anos, até ser detido, no ano 2000, acusado de causar a morte de mais de 200 idosos com injecções de morfina ou diamorfina. Segundo testemunhou, fê-lo por compaixão, mas a ganância também teve influência: descobriu-se que falsificara o testamento de uma das vítimas, o que levou a Polícia a desconfiar da sua actividade extraprofissional.

 

SUPER 147 - Julho 2010


( 1 Voto )
 

Últimas publicações

Publicações relacionadas

GuiaTV

Escolha abaixo o canal.

Canal:

Data:

You need Flash player 6+ and JavaScript enabled to view this video.

Playlist: 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11

Your are currently browsing this site with Internet Explorer 6 (IE6).

Your current web browser must be updated to version 7 of Internet Explorer (IE7) to take advantage of all of template's capabilities.

Why should I upgrade to Internet Explorer 7? Microsoft has redesigned Internet Explorer from the ground up, with better security, new capabilities, and a whole new interface. Many changes resulted from the feedback of millions of users who tested prerelease versions of the new browser. The most compelling reason to upgrade is the improved security. The Internet of today is not the Internet of five years ago. There are dangers that simply didn't exist back in 2001, when Internet Explorer 6 was released to the world. Internet Explorer 7 makes surfing the web fundamentally safer by offering greater protection against viruses, spyware, and other online risks.

Get free downloads for Internet Explorer 7, including recommended updates as they become available. To download Internet Explorer 7 in the language of your choice, please visit the Internet Explorer 7 worldwide page.