Cinto insuflável

altA segurança passiva continua a ser uma preocupação constante dos construtores de automóveis. A última novidade a este nível é o cinto de segurança insuflável, para já adaptado ao uso nos lugares do banco traseiro dos automóveis. A Ford fará a estreia deste novo dispositivo na Europa a partir de 2013, com o objetivo de reduzir as lesões na cabeça, no pescoço e no tronco dos passageiros que viajem no banco de trás.

O seu funcionamento é em tudo idêntico ao dos conhecidos airbags. Em caso de acidente, sensores detetam o impacto, forçando a saída de gás comprimido de um cilindro alojado debaixo do assento traseiro, através da fivela e para dentro do cinto. Uma bolsa, integrada na secção do cinto que passa sobre o tronco do passageiro, é então cheia com ar em menos de 40 milésimos de segundo, multiplicando por cinco a área de contacto do tronco com o cinto. Isto diminui, na mesma proporção, o esforço localizado, espalhando-o por uma área maior e diminuindo a probabilidade de lesões, sobretudo em passageiros mais sensíveis, como crianças e idosos, os ocupantes mais frequentes nos lugares traseiros. Este sistema fornece uma proteção extra para a cabeça e o pescoço, além da diminuição de pressão no tronco.

Os cintos insufláveis são acolchoados e mais macios do que os cintos convencionais, tornando o seu uso quotidiano mais confortável e igualmente versátil, sendo compatíveis com a montagem de cadeiras de bebé ou de assentos elevatórios.

Ao contrário dos airbags, cujo enchimento implica geração de calor, o sistema de enchimento destes cintos insufláveis é feito a frio. A Ford escolheu o seu novo familiar Mondeo, a lançar em 2013, como o primeiro a receber esta tecnologia, na Europa.

 

Sexagenários

Os cintos de segurança para automóveis foram estreados pela Nash em 1949 e propostos como opcionais. Inicialmente, eram apenas ventrais, como os utilizados nos aviões comerciais, mas rapidamente se concluiu que o tronco necessitava também de apoio em caso de colisão. A Volvo estreou os cintos de três pontos em 1959, que se mantiveram até hoje, com evoluções ao nível dos enroladores automáticos com bloqueio, pré-tensores e limitadores de esforço. A sua disseminação pela indústria automóvel foi relativamente rápida, sobretudo depois de terem sido declarados obrigatórios em todos os carros, a partir de 1970, nos Estados Unidos.

 

Preso à vida

Nenhum dispositivo de segurança passiva no automóvel salvou tantas vidas e evitou tantos feridos como o cinto de segurança. Porém, a obrigatoriedade do seu uso foi recebida com resistência por muitos automobilistas e passageiros, quando também os ocupantes do banco traseiro passaram a ter de usá-los.

A chegada dos cintos insufláveis traseiros à Europa é um acontecimento importante, pois são a maneira mais eficaz de proporcionar aos passageiros “lá de trás” um tipo de segurança semelhante à dos airbags dos lugares da frente, além de prevenirem lesões secundárias, devido a diminuição para um quinto da sua pressão no tronco, em caso de embate.

A primeira vez que ouvi falar deste tipo de solução foi há cerca de dez anos, o que mostra bem a lentidão com que as evoluções acontecem na indústria automóvel, sobretudo aquelas que “mexem” com homologações, aprovações oficiais e outras burocracias do género. Porém, mais vale tarde que nunca e, a partir do próximo ano, quem comprar o Ford Mondeo terá lá os cintos insufláveis nos lugares traseiros. Certamente outras marcas seguirão o exemplo, pois a ideia é relativamente simples e utiliza tecnologia bem conhecida. Só se espera que os últimos resistentes a usar o cinto de segurança se deixem convencer da sua necessidade, quando se circula num automóvel. Para a sua segurança e para a dos que consigo partilham o habitáculo do automóvel.

Francisco Mota

 

SUPER 172 - Agosto 2012


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